E se eu for porque mo são?!
Serei eu negro, fundo tenebroso
Quando me forem pois por trevas também?
Alguém que me traga o sol
Quando choverem as lágrimas do meu ser
Seja o sol um sorriso
Seja em ausência de orgulho
Por favor
Como o amor de alguém comum
Não peço mais que honestidade
E terei assim o céu limpo
E serei, cinzento amnésico,
Como profundo o seu azul
Alguém que me deixe saber
Que ainda não é vã a minha humanidade
Que possa também eu ser o sol
Guardar a chuva de algum chorar
Alguém que me dê um pouco de humanidade
Alguém que me dê a mão
Quando a terra se abrir sob o meu pisar
Seja essa mão a esperança
Seja, suporte quando tremerem-se-me os pés,
Como o amor que existe sem forçar
Não peço mais que a sua naturalidade
E terei rocha firme
Sob o meu andar
Quando sobre nada me firmar
Alguém que me deixe saber
Que ainda não é vã a minha humanidade
Que possa também eu estender a minha mão
Firmar a raiz de esperança
No solo que pisar qualquer meu irmão
Que seja eu esse alguém
Que seja não só porque vale a pena
A humanidade que há em mim
Que o seja eu pois em novidade
Para aquele que não o merece
Para aquele que me fizer sofrer
Porque, que vale mais a pena?
Que o seja porque mo são,
Ou ser para que o possam ser?
E se o for porque mo são?!
Serei eu negro, fundo tenebroso
Quando me forem pois por trevas também?
Eu serei para que possam ser!
Eu farei a luz onde luz não houver
Eu fá-los-ei fartos onde fome houver
Farei caminho quando caminho nenhum se encontrar
Farei o mundo amar e amá-lo-ei eu também
Amá-lo-ei antes de me amar
Amá-lo-ei quando me odiar
Farei o mundo valer a pena da sua humanidade
Pela humanidade que há em mim.
Para todas as almas que procuram algo que lhes toque, busquem antes o que vos agrade e não o que vos fizer duvidar.
Ricardo Valez
quinta-feira, 8 de maio de 2008
sexta-feira, 2 de maio de 2008
One Star
She first fell in the world
Her heart said not a word
Her rage grew as frost
For what thought she has lost
Then she fell in his world
There was only one word
He approached her face
Saw the light she embraced
She shined, she smiled
On the eternity of a while
He saw her glittering
Listening to her heart beating
On a warm blood stream
Healed soul from a broken dream
He lost his world
For the fire upon her heart
Fantasy turned real
They have never felt so thrilled
For the fire was upon their hearts
He gazed at her
As the star she was
She loved the poor boy
As only love could love.
Her heart said not a word
Her rage grew as frost
For what thought she has lost
Then she fell in his world
There was only one word
He approached her face
Saw the light she embraced
She shined, she smiled
On the eternity of a while
He saw her glittering
Listening to her heart beating
On a warm blood stream
Healed soul from a broken dream
He lost his world
For the fire upon her heart
Fantasy turned real
They have never felt so thrilled
For the fire was upon their hearts
He gazed at her
As the star she was
She loved the poor boy
As only love could love.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
É Simples
É simples, tão simples o amor o é
Cegam, porém o orgulho e o rancor, a sua simplicidade
Qualquer alguém de nós que achar que o amor não é simples
é porque é consumido de orgulho e rancor
A qualquer alguém que diga que estou errado nisto
não o vou desmentir nem lhe vou concordar
Não digo que vejo
Sou cego como qualquer um de nós
Mas vejo, penso eu, para além do que vêem os meus olhos
Que olhos tenho eu? Que horizontes vêem os meus?
Horizontes são infinitos; não lhes chego
Olho para além do horizonte e vejo-me a mim mesmo
Sou, no fundo, um espelho do meu orgulho
que me impede, no entanto, de me orgulhar
mas ver, para além de mim e para dentro de mim
Que orgulho não tenho se o tenho fora de mim?!
Sei, por vezes, mais do que devia
Sei sobre tanto e tão pouco me é dado a saber
Tenho só razão sobre estas coisas más
E há tantas coisas más neste mundo que tenho sempre razão
O mundo é mau! Não achas?
Penso que sim
Mas não é o mundo que nos faz
Ora pois, ai da semente que semeie o semeador
Pois afinal é o semeador que semeia a semente
E da semente cresce o trabalho do Homem
Pois é o Homem que faz o mundo
E todos e cada um de nós somos Homens
Queres semear comigo neste mundo?
Queres fazer este mundo comigo?
Como? Como semear o mundo?
Semearemos no mundo aquilo que queremos que ele seja!
Se o quisermos rancoroso, vamos guardar rancor de quem nos ofendeu
Se o quisermos mentiroso, vamos mentir a verdade
Se o quisermos orgulhoso, vamos tirar tudo o que não é nosso e exigir o que é de ninguém
Vamos cegar tudo o que é para alem do demais de nós mesmos
Mas...
Oh doce "mas"
Se o quisermos em amor
Vamos então esquecer o nosso egoísmo e orgulho e rancor
Vamos amar
Só! Só isso!
Amar!
Amar em amor.
Cegam, porém o orgulho e o rancor, a sua simplicidade
Qualquer alguém de nós que achar que o amor não é simples
é porque é consumido de orgulho e rancor
A qualquer alguém que diga que estou errado nisto
não o vou desmentir nem lhe vou concordar
Não digo que vejo
Sou cego como qualquer um de nós
Mas vejo, penso eu, para além do que vêem os meus olhos
Que olhos tenho eu? Que horizontes vêem os meus?
Horizontes são infinitos; não lhes chego
Olho para além do horizonte e vejo-me a mim mesmo
Sou, no fundo, um espelho do meu orgulho
que me impede, no entanto, de me orgulhar
mas ver, para além de mim e para dentro de mim
Que orgulho não tenho se o tenho fora de mim?!
Sei, por vezes, mais do que devia
Sei sobre tanto e tão pouco me é dado a saber
Tenho só razão sobre estas coisas más
E há tantas coisas más neste mundo que tenho sempre razão
O mundo é mau! Não achas?
Penso que sim
Mas não é o mundo que nos faz
Ora pois, ai da semente que semeie o semeador
Pois afinal é o semeador que semeia a semente
E da semente cresce o trabalho do Homem
Pois é o Homem que faz o mundo
E todos e cada um de nós somos Homens
Queres semear comigo neste mundo?
Queres fazer este mundo comigo?
Como? Como semear o mundo?
Semearemos no mundo aquilo que queremos que ele seja!
Se o quisermos rancoroso, vamos guardar rancor de quem nos ofendeu
Se o quisermos mentiroso, vamos mentir a verdade
Se o quisermos orgulhoso, vamos tirar tudo o que não é nosso e exigir o que é de ninguém
Vamos cegar tudo o que é para alem do demais de nós mesmos
Mas...
Oh doce "mas"
Se o quisermos em amor
Vamos então esquecer o nosso egoísmo e orgulho e rancor
Vamos amar
Só! Só isso!
Amar!
Amar em amor.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Corpo Fantasma
Condenado a saber
Imaginar o futuro que
A mim me calha
Dentro do infinitivo
Da probabilidade
A ocasião e a eventualidade
Que imagino eu
Mas se nem sei
Nem tenho como saber
Vivo em perigo
Constante de cair
Se me falta a força
A vontade de viver
A possibilidade
Se não pára
A queda que se faz
Constante aparição
No medo que me é
Ninguém me disse
Sobre a dor
Que me assola
Agora
Digo eu
Não se podia prever
Apenas esperar
E cegar
Por se temer
Não se pode prever
Espero esperança
Por amarga realidade
Sobrevivo enquanto morro
Um pouco mais
Sobre mim
A fé maior
Faz-me ter
Esperar viver
Tenho todo
O essencial
Que me chega
Perto à perfeição
Ainda que tão longe
Subo e desço
Mas espero melhor
De mim mesmo
Parece
Tenho tudo
E disto tudo
O menos
Isto é
Parece
Porém
Falta-me pois o elo
De futilidade carnal
Mostrando-se maior e mais
Porque se mostra este
Maior que a alma
Que pode haver
Mas carne tudo o é
Alma somos nós
E aquilo que sentimos
Ou somos nós besta
Que de presa
Se faz predador
A carne pois
Que se alimente
De carne
Vive a besta
A alma
Que se alimente
De alma
Vive o Homem
Que morra a besta
Que a fé
Me deixe ser
Que a alma
Possa viver
Que o espírito
Continue superior
Porque o corpo
Não o sendo
É somente só por dor.
Imaginar o futuro que
A mim me calha
Dentro do infinitivo
Da probabilidade
A ocasião e a eventualidade
Que imagino eu
Mas se nem sei
Nem tenho como saber
Vivo em perigo
Constante de cair
Se me falta a força
A vontade de viver
A possibilidade
Se não pára
A queda que se faz
Constante aparição
No medo que me é
Ninguém me disse
Sobre a dor
Que me assola
Agora
Digo eu
Não se podia prever
Apenas esperar
E cegar
Por se temer
Não se pode prever
Espero esperança
Por amarga realidade
Sobrevivo enquanto morro
Um pouco mais
Sobre mim
A fé maior
Faz-me ter
Esperar viver
Tenho todo
O essencial
Que me chega
Perto à perfeição
Ainda que tão longe
Subo e desço
Mas espero melhor
De mim mesmo
Parece
Tenho tudo
E disto tudo
O menos
Isto é
Parece
Porém
Falta-me pois o elo
De futilidade carnal
Mostrando-se maior e mais
Porque se mostra este
Maior que a alma
Que pode haver
Mas carne tudo o é
Alma somos nós
E aquilo que sentimos
Ou somos nós besta
Que de presa
Se faz predador
A carne pois
Que se alimente
De carne
Vive a besta
A alma
Que se alimente
De alma
Vive o Homem
Que morra a besta
Que a fé
Me deixe ser
Que a alma
Possa viver
Que o espírito
Continue superior
Porque o corpo
Não o sendo
É somente só por dor.
terça-feira, 17 de julho de 2007
Uma Estrela
Ela primeiro caiu no mundo
O seu coração não disse uma palavra
A sua ira cresceu como geada
Pelo que pensava ela ter perdido
Depois ela caiu no mundo dele
Houve então uma só palavra
Ele aproximou-se da sua face
Viu a luz que abraçou
Ela brilhou, ela sorriu
Na eternidade de um momento
Ele viu-a resplandecer
Ouvindo o seu coração bater
Numa corrente de quente sangue
Alma curada de um sonho partido
Ele perdeu o seu mundo
Pelo fogo diante o coração dela
E a fantasia tornou-se real
Nunca eles se haviam sentido tão emocionados
Porque o fogo estava diante os seus corações
Ele olhou para ela
Como a estrela que ela era
Ela amou o pobre rapaz
Como só o amor poderia amar.
O seu coração não disse uma palavra
A sua ira cresceu como geada
Pelo que pensava ela ter perdido
Depois ela caiu no mundo dele
Houve então uma só palavra
Ele aproximou-se da sua face
Viu a luz que abraçou
Ela brilhou, ela sorriu
Na eternidade de um momento
Ele viu-a resplandecer
Ouvindo o seu coração bater
Numa corrente de quente sangue
Alma curada de um sonho partido
Ele perdeu o seu mundo
Pelo fogo diante o coração dela
E a fantasia tornou-se real
Nunca eles se haviam sentido tão emocionados
Porque o fogo estava diante os seus corações
Ele olhou para ela
Como a estrela que ela era
Ela amou o pobre rapaz
Como só o amor poderia amar.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Decrépito Mundo – O Brilho De Uma Página Negra IV
Ó mundo, decrépito mundo
O teu fogo arde mais
Mas sempre és o segundo
Nunca deixaste de ser
Pelo fogo
Que não se fez arrefecer
Passas e voltas a passar
Ora não sobre ti somente
Porque tens vida mas sem viver
Pois quão decrépito o que se sente
Não há viagem nem tempo
Que se faça maior gravidade
Porque é a luz que te faz brilhar, ó mundo
O porque vives, sua demente sanidade
Oh mundo! Vives pelo fogo que te arde
E levantas-te senão por cinzas, funerais
Arde agora mundo eu! Arde alma cobarde
Deixa de lhe ser e vive bem e mais!
Se me houvesse ainda honesta alegria
Rir-me-ia então, aberto à tua amarga ironia
Porque choro, não por cobardia
Mas pelo destino que ver nem posso.
O teu fogo arde mais
Mas sempre és o segundo
Nunca deixaste de ser
Pelo fogo
Que não se fez arrefecer
Passas e voltas a passar
Ora não sobre ti somente
Porque tens vida mas sem viver
Pois quão decrépito o que se sente
Não há viagem nem tempo
Que se faça maior gravidade
Porque é a luz que te faz brilhar, ó mundo
O porque vives, sua demente sanidade
Oh mundo! Vives pelo fogo que te arde
E levantas-te senão por cinzas, funerais
Arde agora mundo eu! Arde alma cobarde
Deixa de lhe ser e vive bem e mais!
Se me houvesse ainda honesta alegria
Rir-me-ia então, aberto à tua amarga ironia
Porque choro, não por cobardia
Mas pelo destino que ver nem posso.
sábado, 12 de maio de 2007
Sede Primavera – O Brilho De Uma Página Negra III
Ó Primavera, minha sede Primavera
Brilhas tu o mundo
Mas para sempre quem me dera?
Ora és e logo deixas de ser
Pela época
Que te deixa envelhecer
Morres e renasces
Ora bela e jamais mera
És vida e dás a viver
Da sede que és tu ó primavera
Não há tempo que te apresse
Há somente o mundo e a tua mão
Pois pudera também se pudesse
Ou não me seria a mais bela estação
Oh Primavera! És constante no meu amor
Mas és e logo deixas de ser
És e logo deixas o teu sabor
E ainda assim beijas o mundo ao teu querer
Porque não me és como um todo
Em vez de vento que expira sem inspirar?
Poder-me-ias ser esta estação
E ainda constante também o teu amar?
Brilhas tu o mundo
Mas para sempre quem me dera?
Ora és e logo deixas de ser
Pela época
Que te deixa envelhecer
Morres e renasces
Ora bela e jamais mera
És vida e dás a viver
Da sede que és tu ó primavera
Não há tempo que te apresse
Há somente o mundo e a tua mão
Pois pudera também se pudesse
Ou não me seria a mais bela estação
Oh Primavera! És constante no meu amor
Mas és e logo deixas de ser
És e logo deixas o teu sabor
E ainda assim beijas o mundo ao teu querer
Porque não me és como um todo
Em vez de vento que expira sem inspirar?
Poder-me-ias ser esta estação
E ainda constante também o teu amar?
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Devoto Mar – O Brilho De Uma Página Negra II
Ó mar, devoto mar
Reflectes só a luz da lua
No teu eterno embalar
Nunca vais senão para voltar
Pela dança
Que não tem par
Sobes e desces
Ora cheio ora nu
És senão para lhe ser
Quão devoto de amor és tu
Não há quê que me conforte
Senão a luz que sobre mim
Nem qual sol que me importe
Porque brilha mais a luz de ti
Oh mar! Dançaste só pelo seu amar
Mas esqueces sempre o teu lugar
Porque infinita distância só por mal
Porque sou da Terra mas por ti sou o teu sal
Porque voas tu onde olho sem chegar
Se não me é dada a liberdade?
Mas fosse e deixaria água e sal do meu mar
E ser-te-ia para sempre em eterna gravidade.
Reflectes só a luz da lua
No teu eterno embalar
Nunca vais senão para voltar
Pela dança
Que não tem par
Sobes e desces
Ora cheio ora nu
És senão para lhe ser
Quão devoto de amor és tu
Não há quê que me conforte
Senão a luz que sobre mim
Nem qual sol que me importe
Porque brilha mais a luz de ti
Oh mar! Dançaste só pelo seu amar
Mas esqueces sempre o teu lugar
Porque infinita distância só por mal
Porque sou da Terra mas por ti sou o teu sal
Porque voas tu onde olho sem chegar
Se não me é dada a liberdade?
Mas fosse e deixaria água e sal do meu mar
E ser-te-ia para sempre em eterna gravidade.
sábado, 14 de abril de 2007
Doce Lua – O Brilho De Uma Página Negra I
Ó lua, doce lua
Brilhas no mar
A luz que somente tua
Ora bela ora escura
Pela sombra
Que não tem cura
Cresces e decresces
Ora cheia ora nua
Brilhas e dás a brilhar
Quão doce és tu ó lua
Não há vento que te force
Nem gravidade que vem de mim
Porque nem pelo nosso amor precoce
Te vi querer mudar de ti
Oh lua! Brilhas constante o coração
Mas tens eterna a outra face
Como se a tua vida por escuridão
Como se fonte que te alimentasse
Porque pereces tu por bondade,
Se de bondade pereço eu?
Deixar-lhe-ias tu de lado,
Se qualquer destino fosse teu?
Brilhas no mar
A luz que somente tua
Ora bela ora escura
Pela sombra
Que não tem cura
Cresces e decresces
Ora cheia ora nua
Brilhas e dás a brilhar
Quão doce és tu ó lua
Não há vento que te force
Nem gravidade que vem de mim
Porque nem pelo nosso amor precoce
Te vi querer mudar de ti
Oh lua! Brilhas constante o coração
Mas tens eterna a outra face
Como se a tua vida por escuridão
Como se fonte que te alimentasse
Porque pereces tu por bondade,
Se de bondade pereço eu?
Deixar-lhe-ias tu de lado,
Se qualquer destino fosse teu?
sábado, 25 de novembro de 2006
Pelo que ser? - Porquê?
Pois não sei de facto se o que sou é somente reflexo do nada de mim mesmo, mas se é reflexo de mim ou do meu ser, como “nada” poderia ser? Como poderia ser se eu fosse como um corpo que não possui espectro da essência de ser ou haver em algo que não eu somente? Como? pois se nada fosse, como poderia reflexo algum ser? Pois se assim não o é! Ou será o reflexo a própria imagem do que é? porque sem corpo, não é luz nem imagem, é reflexo somente. Nada mais que ilusão do que queremos e aparentamos ser, mas não é isto reflexo, é reflexão.
Exprimamos o sentimento que não nos deixa morrer, seja ele qual for, façamo-lo diante do espelho que somos nós e será o reflexo como somos mas jamais como o que sentimos. Mas se vivemos por sentir, e seja qual for o sentimento que nos faz viver não será de facto então o reflectir da introspecção o reflexo de algo que nada pode ser senão por si mesmo e jamais por reflexão? Porque o reflexo exprime sem sentir, tal pois como a crítica e a interpretação, reproduz sem jamais produzir, é superfície sem qualquer profundidade, não é senão somente aquele que ele não é nem pode ser senão por reflexão. É ideia, é pensamento, é falso, constante e imparcial mas toma sempre este partido. Pois por mais que nos exprimamos diante do espelho que somos nós, por reflectir tudo o que nos envolve, jamais o nosso reflectir será mais que a imagem que se cria por falsidade ou esperança do nosso pensamento, jamais será este a realidade do que realmente é por verdade e unicidade. É, portanto, o que temos dentro que se deve fazer projectar e não reflectir o que é de fora. Deixemos de ver para poder sonhar, porque o sonho projecta o que temos dentro e a visão reflecte o que é de fora.
Mas, quem, qual de vós é ou acha poder ser superior ao todo saber para julgar ou definir aquilo que é ou não é, ou aquilo que não é nem se faz para ser, ou aquilo que é mas de facto não o é? porque o reflexo ou reflexão que me pertencem são somente para mim, mas estes aquando teus, os mesmos, deixam de me ser, mantendo-se, contudo, sempre o reflexo e reflexão do mesmo objecto, seja qual for a questão: este, aquele; tarde, depois; princípio, sonho; sim ou não... tornando-se por isto díctico do que somos. Qual então pois, qual de vocês é superior a isto, à parcialidade do ser consciente (mas tanto irracional) e à suficiência de si mesmo para que o possa fazer? Quem é mais que o tempo que define a probabilidade consoante o espaço? E quem está em espaço e não em tempo? E quem ocupa dois espaços no mesmo tempo? Mas mais, quem ocupa dois tempos de todo? Quem o é para saber o que era, é e será? E porque pergunta a alma aquilo que não pode saber? Porquê?
O passado é para esquecer. O futuro?! o futuro é mera ilusão. Esqueçamos o passado e ignoremos a possível probabilidade e sorte do futuro, porque o iludir desta sorte não tem lógica nem razão porque não é do olho nem da mente mas somente do coração. Porque o futuro não nos cabe, nem se pode fazer, nem tampouco para nos caber, vivamos simples, mas conscientes de que o futuro existe... mas não agora! porque é também como o reflexo que é sem na verdade ser... e, o passado… o passado foi mas deixou de ser; esquece somente – simples – porque o presente é só para ser, mas o futuro é mera ilusão. Se o souberes faz para o esquecer para que não caias no teu ócio e a que a paixão não possa morrer. E, porque não nos cabe a nós o que é ainda para ser nem a possibilidade ou sorte que venha a haver no que agora é, qual aquele que de vós é mais do que aquilo que não pode ser? Porque o futuro é... ou melhor: porque é, o futuro, aquilo que ainda não foi senão por especulação, e se não foi ainda, pode então nem vir a ser, porque o futuro não é sequela mas consequência. E quem é mais de si mesmo para ser ou saber aquilo que pode nem vir a acontecer? Quem sabe o que é justo ou injusto se o calhau no qual tropeçamos pode bem ser aquele que sustém (as águas na base de) uma barragem? Porque quem for presente (porque todos o somos) mas também futuro é então também o passado porque o passado é do presente mas também o presente o passado do futuro, mas se for passado não pode ser futuro porque o passado é não só do futuro mas também do presente e é o presente que faz o futuro, mas porque também o presente é passado do que será futuro e o futuro será também passado, a seu tempo assim o será como o tudo que é, pois tudo por tempo é. E qual aquele que é passado, presente e futuro e não muda o passado para ser melhor o seu futuro? mas se se mudar pois o passado, também o futuro mudará para além daquilo que a nossa vontade; porque isto, no futuro: a infinita sua probabilidade... pois como pode então o futuro ser futuro se por isto mesmo foi passado do seu próprio presente? Não queiramos mudar a ordem que Deus nos ordenou por lei natural. Se há coisa a alterar ou destino a mudar, a hora certa é agora, no presente que nos envolve e no tempo que nos é, não no tempo que nos foi ou virá então a ser – chega de lamentar o que já foi consumado ou o que ainda não foi provado – esqueçamos o passado e ignoremos o futuro, mas sempre conscientes do presente, este é o fruto do passado e a semente do futuro. Pois o futuro é ilusão, é reflexo e consequência, não sequência e muito menos precedente de si mesmo. Esqueçamos o passado e ignoremos a possibilidade de sorte do futuro, porque o iludir desta sorte não tem lógica nem razão porque não é do olho nem da mente mas somente do coração e daquele que espera pela sorte que lhe valha e a sua ocasião. É tudo isto como reflexo, que é sem na verdade ser, porque é-me imparcial mas no meu entender porque enquanto for por mim ser-vos-á para sempre parcial, parcial a mim, por me pertencer e ao meu próprio parecer, tornando-se pois por isto o díctico que sou eu de tudo o demais.
Quem é mais que o espaço que nos rodeia? Quem é mais que o tempo que nos governa o passar e o ser da eventualidade voluntária e inconsciente? Quem é mais que a infinita casualidade? E quem sou eu para dizer casualidade e não destino? Quem sou eu para perguntar porquê? - Ora pois pergunto porque sou parte deste mundo. Sou parte do espaço e do tempo que somos e fazemos. Pergunto porque o mundo parece viver somente para saber porquê, e por ser quem somos vivemos perguntando porquê. Porquê isto, porquê aquilo, o porquê do quanto mais de quê tem porquê. O porquê do tempo, do espaço e do destino… da casualidade, da sua casualidade, da pergunta e do seu eterno infinito. Mas porquê viver, e deixar de viver, para perguntar? Mas porquê? Porquê viver isto e não somente viver? Porquê viver em dúvida e questão e não somente viver?
Por que medo fazemos a nossa vida? De certo as nossas vidas tem sido por medo. O medo de não saber porquê. O medo de não saber! Ora assim a ignorância que nos consome por dúvida e questão. Porque de facto perecemos nós por ignorância e falta de conhecimento! mas porque perecemos por ignorância e falta de conhecimento afinal?! Quem faz afinal a regra senão por conceito que a defina?! Porque na verdade afirmo achar saber que a ignorância e a dúvida são só por mentira; o conhecimento e a certeza são fé e verdade! O homem que perece, não perece por ignorância do conhecimento e a ciência da possibilidade, mas sim por morte que o consome por falta de verdade.
Deixemos de ser por dúvida e sejamos simples como a verdade, sejamos só por verdade e esqueçamos a dúvida, a questão e a mentira. Deixemos agora a dor e deixemos o perguntar. Que vivamos simples sem a mágoa e o seu sabor. Saboreemos a memória, a nostalgia e a lembrança, e o que sabemos lembrar é só o nosso cair e desfalecer. Deixemos a sorte ser, esquecer esta corrupta esperança, porque não há esperança de não morrer se a nossa vida é por tal. Pois se vivemos por morrer, que esperança esperamos nós haver?! Vivamos por viver! Não somente para sobreviver à casualidade que nos sobreveio. Deixemos o demais e vivamos para viver.
Ora pois não sabemos nada do que somos senão aquilo que supomos ser… nem se somos fruto do que não sabemos ser… ai as guerras e o temor de nós mesmo, ai de nós… mas o que somos não se faz para ser eventualidade do que será, nem seremos nós o que poderíamos ser, porque a resposta que não se alcança, depois de busca vã, é o sonhos que à realidade da vida se escolta sem na verdade nunca deixar de ser somente por sonhar. Pois afinal como podemos nós ser a nossa requerida eventualidade? Não podemos ser o que queremos só por querer. Somos, somente e mais simples do que imaginamos ou podemos ser, e nunca seremos mais, mais que o presente que somos e o arbítrio de que nos fazemos pelo passado que fomos e não pelo futuro que seremos em infinita probabilidade de destino, porque tal como o passado, assim pois o futuro são somente esperança da nossa devassa consciência, são ilusão que se prolonga como a matança do Inverno mas também como a vida primaveril. Mas não nos deixemos pois enganar e iludir por falsa aparência que o olho vê mas o coração não sente. A ilusão por que vivemos não é senão a queda que se faz por nos consumir.
Mas porque não deixamos nós o mundo e o ser se por ser, tamanha a sua complexidade? Porque não nos deixamos morrer? Morrer, morrer, morrer… porquê? Porque maior é o prazer em viver?...? Pois então mas porquê, se vivemos por busca vã? Porquê, se a resposta que não se alcança é mero sonho e imaginação, e a pergunta é infinita mas ilógica esperança?!
Morre, morre, morre decrépito pensamento! Morre agora racionalidade, inconcebível lógica e introspecção! Morre se vives por deturpar o que é bom de ser e haver! Morre sim, porque tu deves morrer assim e não o ser. Que viva o ser e morra a questão. Vivamos simples e felizes sem a mágoa de dúvida e o arder da sua combustão. Sejamos só por ser, inconscientes da razão mas a par do que nos é devido. Esqueçamos o passado e ignoremos a possibilidade, infinita probabilidade e a sorte de futuro porque a ilusão desta sorte não tem lógica nem razão porque não é do olho nem da mente mas somente do coração. Esqueçamos o passado e ignoremos o futuro mas sempre conscientes do presente como fruto do passado e semente do futuro. Exprimamos o sentimento que não nos deixa morrer, e seja qual for o sentimento que nos faz viver, façamo-lo diante o espelho que somos nós, mas não será, o reflexo, tal pelo que sentimos. Porque não existe sentir no passado, mas somente no presente. Do passado resta só a memória que não é sentida mas sim lembrada. De todo este nosso presente, é agora a hora de fazer explodir o nosso amor: neste mesmo momento e acontecer.
Por isto não sejamos reflexo de nada, nem de nós mesmo, mas sejamos nós aquilo que somos e façamos para não sermos melhores que ninguém senão que nós mesmos, melhores do aquilo que somos, e ignoremos o que poderemos vir a ser. Deixemos o tempo ser e passar consoante a sua medida mas vivamos de coração aberto e consoante o seu ser, passar e medir, porque a vida que nos pertence não se mede nem se move por reflectir o reflexo do que não somos nem do que não é de nós, mas sejamos nós somente e simples e por aquilo que nos é, porque o Homem não é por lógica ou razão, nem por ciência nem por perguntar a questão que nos deixa ser (ser o que somos) mas sim por mero, porque natural, mas, porque sobre o natural, tal tamanho, assim o somos por maior amor.
Exprimamos o sentimento que não nos deixa morrer, seja ele qual for, façamo-lo diante do espelho que somos nós e será o reflexo como somos mas jamais como o que sentimos. Mas se vivemos por sentir, e seja qual for o sentimento que nos faz viver não será de facto então o reflectir da introspecção o reflexo de algo que nada pode ser senão por si mesmo e jamais por reflexão? Porque o reflexo exprime sem sentir, tal pois como a crítica e a interpretação, reproduz sem jamais produzir, é superfície sem qualquer profundidade, não é senão somente aquele que ele não é nem pode ser senão por reflexão. É ideia, é pensamento, é falso, constante e imparcial mas toma sempre este partido. Pois por mais que nos exprimamos diante do espelho que somos nós, por reflectir tudo o que nos envolve, jamais o nosso reflectir será mais que a imagem que se cria por falsidade ou esperança do nosso pensamento, jamais será este a realidade do que realmente é por verdade e unicidade. É, portanto, o que temos dentro que se deve fazer projectar e não reflectir o que é de fora. Deixemos de ver para poder sonhar, porque o sonho projecta o que temos dentro e a visão reflecte o que é de fora.
Mas, quem, qual de vós é ou acha poder ser superior ao todo saber para julgar ou definir aquilo que é ou não é, ou aquilo que não é nem se faz para ser, ou aquilo que é mas de facto não o é? porque o reflexo ou reflexão que me pertencem são somente para mim, mas estes aquando teus, os mesmos, deixam de me ser, mantendo-se, contudo, sempre o reflexo e reflexão do mesmo objecto, seja qual for a questão: este, aquele; tarde, depois; princípio, sonho; sim ou não... tornando-se por isto díctico do que somos. Qual então pois, qual de vocês é superior a isto, à parcialidade do ser consciente (mas tanto irracional) e à suficiência de si mesmo para que o possa fazer? Quem é mais que o tempo que define a probabilidade consoante o espaço? E quem está em espaço e não em tempo? E quem ocupa dois espaços no mesmo tempo? Mas mais, quem ocupa dois tempos de todo? Quem o é para saber o que era, é e será? E porque pergunta a alma aquilo que não pode saber? Porquê?
O passado é para esquecer. O futuro?! o futuro é mera ilusão. Esqueçamos o passado e ignoremos a possível probabilidade e sorte do futuro, porque o iludir desta sorte não tem lógica nem razão porque não é do olho nem da mente mas somente do coração. Porque o futuro não nos cabe, nem se pode fazer, nem tampouco para nos caber, vivamos simples, mas conscientes de que o futuro existe... mas não agora! porque é também como o reflexo que é sem na verdade ser... e, o passado… o passado foi mas deixou de ser; esquece somente – simples – porque o presente é só para ser, mas o futuro é mera ilusão. Se o souberes faz para o esquecer para que não caias no teu ócio e a que a paixão não possa morrer. E, porque não nos cabe a nós o que é ainda para ser nem a possibilidade ou sorte que venha a haver no que agora é, qual aquele que de vós é mais do que aquilo que não pode ser? Porque o futuro é... ou melhor: porque é, o futuro, aquilo que ainda não foi senão por especulação, e se não foi ainda, pode então nem vir a ser, porque o futuro não é sequela mas consequência. E quem é mais de si mesmo para ser ou saber aquilo que pode nem vir a acontecer? Quem sabe o que é justo ou injusto se o calhau no qual tropeçamos pode bem ser aquele que sustém (as águas na base de) uma barragem? Porque quem for presente (porque todos o somos) mas também futuro é então também o passado porque o passado é do presente mas também o presente o passado do futuro, mas se for passado não pode ser futuro porque o passado é não só do futuro mas também do presente e é o presente que faz o futuro, mas porque também o presente é passado do que será futuro e o futuro será também passado, a seu tempo assim o será como o tudo que é, pois tudo por tempo é. E qual aquele que é passado, presente e futuro e não muda o passado para ser melhor o seu futuro? mas se se mudar pois o passado, também o futuro mudará para além daquilo que a nossa vontade; porque isto, no futuro: a infinita sua probabilidade... pois como pode então o futuro ser futuro se por isto mesmo foi passado do seu próprio presente? Não queiramos mudar a ordem que Deus nos ordenou por lei natural. Se há coisa a alterar ou destino a mudar, a hora certa é agora, no presente que nos envolve e no tempo que nos é, não no tempo que nos foi ou virá então a ser – chega de lamentar o que já foi consumado ou o que ainda não foi provado – esqueçamos o passado e ignoremos o futuro, mas sempre conscientes do presente, este é o fruto do passado e a semente do futuro. Pois o futuro é ilusão, é reflexo e consequência, não sequência e muito menos precedente de si mesmo. Esqueçamos o passado e ignoremos a possibilidade de sorte do futuro, porque o iludir desta sorte não tem lógica nem razão porque não é do olho nem da mente mas somente do coração e daquele que espera pela sorte que lhe valha e a sua ocasião. É tudo isto como reflexo, que é sem na verdade ser, porque é-me imparcial mas no meu entender porque enquanto for por mim ser-vos-á para sempre parcial, parcial a mim, por me pertencer e ao meu próprio parecer, tornando-se pois por isto o díctico que sou eu de tudo o demais.
Quem é mais que o espaço que nos rodeia? Quem é mais que o tempo que nos governa o passar e o ser da eventualidade voluntária e inconsciente? Quem é mais que a infinita casualidade? E quem sou eu para dizer casualidade e não destino? Quem sou eu para perguntar porquê? - Ora pois pergunto porque sou parte deste mundo. Sou parte do espaço e do tempo que somos e fazemos. Pergunto porque o mundo parece viver somente para saber porquê, e por ser quem somos vivemos perguntando porquê. Porquê isto, porquê aquilo, o porquê do quanto mais de quê tem porquê. O porquê do tempo, do espaço e do destino… da casualidade, da sua casualidade, da pergunta e do seu eterno infinito. Mas porquê viver, e deixar de viver, para perguntar? Mas porquê? Porquê viver isto e não somente viver? Porquê viver em dúvida e questão e não somente viver?
Por que medo fazemos a nossa vida? De certo as nossas vidas tem sido por medo. O medo de não saber porquê. O medo de não saber! Ora assim a ignorância que nos consome por dúvida e questão. Porque de facto perecemos nós por ignorância e falta de conhecimento! mas porque perecemos por ignorância e falta de conhecimento afinal?! Quem faz afinal a regra senão por conceito que a defina?! Porque na verdade afirmo achar saber que a ignorância e a dúvida são só por mentira; o conhecimento e a certeza são fé e verdade! O homem que perece, não perece por ignorância do conhecimento e a ciência da possibilidade, mas sim por morte que o consome por falta de verdade.
Deixemos de ser por dúvida e sejamos simples como a verdade, sejamos só por verdade e esqueçamos a dúvida, a questão e a mentira. Deixemos agora a dor e deixemos o perguntar. Que vivamos simples sem a mágoa e o seu sabor. Saboreemos a memória, a nostalgia e a lembrança, e o que sabemos lembrar é só o nosso cair e desfalecer. Deixemos a sorte ser, esquecer esta corrupta esperança, porque não há esperança de não morrer se a nossa vida é por tal. Pois se vivemos por morrer, que esperança esperamos nós haver?! Vivamos por viver! Não somente para sobreviver à casualidade que nos sobreveio. Deixemos o demais e vivamos para viver.
Ora pois não sabemos nada do que somos senão aquilo que supomos ser… nem se somos fruto do que não sabemos ser… ai as guerras e o temor de nós mesmo, ai de nós… mas o que somos não se faz para ser eventualidade do que será, nem seremos nós o que poderíamos ser, porque a resposta que não se alcança, depois de busca vã, é o sonhos que à realidade da vida se escolta sem na verdade nunca deixar de ser somente por sonhar. Pois afinal como podemos nós ser a nossa requerida eventualidade? Não podemos ser o que queremos só por querer. Somos, somente e mais simples do que imaginamos ou podemos ser, e nunca seremos mais, mais que o presente que somos e o arbítrio de que nos fazemos pelo passado que fomos e não pelo futuro que seremos em infinita probabilidade de destino, porque tal como o passado, assim pois o futuro são somente esperança da nossa devassa consciência, são ilusão que se prolonga como a matança do Inverno mas também como a vida primaveril. Mas não nos deixemos pois enganar e iludir por falsa aparência que o olho vê mas o coração não sente. A ilusão por que vivemos não é senão a queda que se faz por nos consumir.
Mas porque não deixamos nós o mundo e o ser se por ser, tamanha a sua complexidade? Porque não nos deixamos morrer? Morrer, morrer, morrer… porquê? Porque maior é o prazer em viver?...? Pois então mas porquê, se vivemos por busca vã? Porquê, se a resposta que não se alcança é mero sonho e imaginação, e a pergunta é infinita mas ilógica esperança?!
Morre, morre, morre decrépito pensamento! Morre agora racionalidade, inconcebível lógica e introspecção! Morre se vives por deturpar o que é bom de ser e haver! Morre sim, porque tu deves morrer assim e não o ser. Que viva o ser e morra a questão. Vivamos simples e felizes sem a mágoa de dúvida e o arder da sua combustão. Sejamos só por ser, inconscientes da razão mas a par do que nos é devido. Esqueçamos o passado e ignoremos a possibilidade, infinita probabilidade e a sorte de futuro porque a ilusão desta sorte não tem lógica nem razão porque não é do olho nem da mente mas somente do coração. Esqueçamos o passado e ignoremos o futuro mas sempre conscientes do presente como fruto do passado e semente do futuro. Exprimamos o sentimento que não nos deixa morrer, e seja qual for o sentimento que nos faz viver, façamo-lo diante o espelho que somos nós, mas não será, o reflexo, tal pelo que sentimos. Porque não existe sentir no passado, mas somente no presente. Do passado resta só a memória que não é sentida mas sim lembrada. De todo este nosso presente, é agora a hora de fazer explodir o nosso amor: neste mesmo momento e acontecer.
Por isto não sejamos reflexo de nada, nem de nós mesmo, mas sejamos nós aquilo que somos e façamos para não sermos melhores que ninguém senão que nós mesmos, melhores do aquilo que somos, e ignoremos o que poderemos vir a ser. Deixemos o tempo ser e passar consoante a sua medida mas vivamos de coração aberto e consoante o seu ser, passar e medir, porque a vida que nos pertence não se mede nem se move por reflectir o reflexo do que não somos nem do que não é de nós, mas sejamos nós somente e simples e por aquilo que nos é, porque o Homem não é por lógica ou razão, nem por ciência nem por perguntar a questão que nos deixa ser (ser o que somos) mas sim por mero, porque natural, mas, porque sobre o natural, tal tamanho, assim o somos por maior amor.
terça-feira, 29 de agosto de 2006
Chaga Incurável
Tempo… Por cada mês que passa e tem passado mais e maiores e não melhores são as palavras que escrevi e da mão se desenhou cada letra, cada palavra do coração. São-me as semanas contínuas, como silvas, espinhos que se cravam sem parar e nem parei e nem deixei eu de sofrer, pois por chorar enchi um mar sem pé e por Inverno de mim congelo esse mesmo mar num único temporal ferido e despido de qualquer Primavera ou Verão como que por eterna Queda de estação. Conto cada dia, conto cada minha dor e pela dor não sei quantos contei nem tampouco quantos vivi. Anseio, paranóico, a cada hora, como louco e como louco espero por nada, espero, vã esperança, por um encontro por acaso, mas forço toda e cada sorte e acaso que há, tenho e é em mim. Mesmo sem olhar vejo passarem minuto após minuto pois assim também lágrima após lágrima como relógio que acompanha o tempo sem ter noção do mesmo passar, e o ponteiro que se faz rodar como caem as águas da mágoa da alma como cada tempo que passa por minuto, porquanto dos meus olhos se fez foz viva da minha alma que se derramou incessante como o vento que sopra, o céu que não cai e o sangue que flúi e não pára senão para morrer. Apesar disto tudo, e maior que todos os meses, semanas, dias, horas e minutos foram cada segundo que se recusava a passar atrasando o tempo e prolongando o sentimento e a dor, maior que todo o tempo que me restou, porque cada segundo foi mais que um dia por morte como cada morte de cada parte do meu espírito foi por cada segundo, e cada segundo de mim foi por minuto, hora e mês que o tem vindo a ser.
Tempo… frio e cruel como agulha penetrante, como espelho sem reflexo ou língua sem paladar. Não pára, não espera e não regressa por ninguém. Imutável seja por que sonhar, querer ou desejar. Não se deixa mover seja por que padecer, não se deixa comover nem por saudade, esperança ou solidão. Deixa-se só acontecer inalterável seja por que gritar, clamor ou poder. Com o poder e força de tudo mudar, moldar e alterar, nunca se fez parar nem tem dó de quem se perde e para trás se deixa ficar. Passeia só em frente, de hoje para amanhã. Não lhe há passado, apenas deixa-se ser. Sem nunca se enervar mantém sempre o mesmo ritmo orgulhoso, impassível e indiferente. Sem nunca se entristecer ou alegrar não se perde por vaidade ou paixão nem tampouco por compaixão. Sem ódio ou amor deixa-se só imortal na imparcialidade do seu ser perverso e racional por infinita lógica irrefutável. Controlando o passar de tanto do que o rodeia. E tudo o rodeia, escravos do seu querer, somos nós… Sem réstia seja de que paixão, molda o bem em mal e o mal em bem, o bem em melhor e o mal em pior. Inconsciente da sua própria inércia molda o pior no melhor e o melhor no pior. Sem alma, espírito ou coração, deixa-se somente estar e ser pelo poder do seu passar.
Oh que tempo conto eu? Pois se o tempo não muda, como pode um tempo meu ser-me por sete tempos? Como pode um segundo ser tão doloroso? E como pode ser tão doloroso como a soma de todos os tempos? – Simples pois não pode. Não pode porque é a soma de todo o tempo que se faz em cada segundo que me passa por cada dor e mágoa e saudade… oh a saudade… quem me dera a mim o que perdi porque o que perdi era tudo, era tudo em mim, era cada segundo, minuto ou mês, cada pensar que ia pensando por cada tempo e por cada tempo cada segundo, enquanto pensava ainda por amor e não por mágoa, saudade e dor. Levar-me-ias tu a minha dor? Levar-me-ias tu esta dor assim como me levaste a minha cor? Assim como levaste a alegria que era minha, mas que era minha por ser por ti, antes que eu pudesse sequer imaginar esta elegia… assim como deixaste de ser e nem sei porque poder ou magia…? É que não compreendo como pode alguém fugir a este amor e viver senão como quem já alguma vez viveu, porque morreria eu se não o tivesse, e morro porque não o tenho. Mas deixo-me viver, por esta morte ainda inconsumpta, pelo sangue derramado e a mágoa que deixaste em mim para nada senão para saudade, memória e o ardor que arde como explosão do meu ser mas que implode por dentro no meu coração porque não tem mais por que explodir e nada tem senão a si mesmo para se consumir e consumir-se-á até a uma morte mais o venha buscar para poder renascer em quem não sou mais nem por quem sou.
Tomara eu enfrentar a regra e o poder do tempo, que governa o passar do mundo, e ganhar. Ganhar poder, vontade e controlo sobre este. E por controlo soberano sobre o tempo, regressar minuto, hora e dia até ao dia e dias em que vivia de alma farta e aberta, aberta para ti, e ainda que fosse em mim este poder, não seria eu a mudar o passado que passou pelo tempo que criamos tu e eu. Não mudaria nem tempo nem segundo somente para que não fosse agora este sofrimento em mim porque se por não sofrer e padecer desta mágoa não pudesse conhecer o que senti… pelo que, juntos, sentimos e fizemos sentir no passado, não seria então em mim, nem gota de um mar por vontade de o alterar. Se por isso tiver de sofrer que sofra então a minha alma, sofra sem piedade porque não tenho arrependimento de te amar… nem de nada nem nunca, perante ti! Não tenho arrependimento nem na mais pequena veia minha por onde corre ainda o sangue teu e do teu amor e de todo o teu amar.
Tempo… frio e cruel como agulha penetrante, como espelho sem reflexo ou língua sem paladar. Não pára, não espera e não regressa por ninguém. Imutável seja por que sonhar, querer ou desejar. Não se deixa mover seja por que padecer, não se deixa comover nem por saudade, esperança ou solidão. Deixa-se só acontecer inalterável seja por que gritar, clamor ou poder. Com o poder e força de tudo mudar, moldar e alterar, nunca se fez parar nem tem dó de quem se perde e para trás se deixa ficar. Passeia só em frente, de hoje para amanhã. Não lhe há passado, apenas deixa-se ser. Sem nunca se enervar mantém sempre o mesmo ritmo orgulhoso, impassível e indiferente. Sem nunca se entristecer ou alegrar não se perde por vaidade ou paixão nem tampouco por compaixão. Sem ódio ou amor deixa-se só imortal na imparcialidade do seu ser perverso e racional por infinita lógica irrefutável. Controlando o passar de tanto do que o rodeia. E tudo o rodeia, escravos do seu querer, somos nós… Sem réstia seja de que paixão, molda o bem em mal e o mal em bem, o bem em melhor e o mal em pior. Inconsciente da sua própria inércia molda o pior no melhor e o melhor no pior. Sem alma, espírito ou coração, deixa-se somente estar e ser pelo poder do seu passar.
Oh que tempo conto eu? Pois se o tempo não muda, como pode um tempo meu ser-me por sete tempos? Como pode um segundo ser tão doloroso? E como pode ser tão doloroso como a soma de todos os tempos? – Simples pois não pode. Não pode porque é a soma de todo o tempo que se faz em cada segundo que me passa por cada dor e mágoa e saudade… oh a saudade… quem me dera a mim o que perdi porque o que perdi era tudo, era tudo em mim, era cada segundo, minuto ou mês, cada pensar que ia pensando por cada tempo e por cada tempo cada segundo, enquanto pensava ainda por amor e não por mágoa, saudade e dor. Levar-me-ias tu a minha dor? Levar-me-ias tu esta dor assim como me levaste a minha cor? Assim como levaste a alegria que era minha, mas que era minha por ser por ti, antes que eu pudesse sequer imaginar esta elegia… assim como deixaste de ser e nem sei porque poder ou magia…? É que não compreendo como pode alguém fugir a este amor e viver senão como quem já alguma vez viveu, porque morreria eu se não o tivesse, e morro porque não o tenho. Mas deixo-me viver, por esta morte ainda inconsumpta, pelo sangue derramado e a mágoa que deixaste em mim para nada senão para saudade, memória e o ardor que arde como explosão do meu ser mas que implode por dentro no meu coração porque não tem mais por que explodir e nada tem senão a si mesmo para se consumir e consumir-se-á até a uma morte mais o venha buscar para poder renascer em quem não sou mais nem por quem sou.
Tomara eu enfrentar a regra e o poder do tempo, que governa o passar do mundo, e ganhar. Ganhar poder, vontade e controlo sobre este. E por controlo soberano sobre o tempo, regressar minuto, hora e dia até ao dia e dias em que vivia de alma farta e aberta, aberta para ti, e ainda que fosse em mim este poder, não seria eu a mudar o passado que passou pelo tempo que criamos tu e eu. Não mudaria nem tempo nem segundo somente para que não fosse agora este sofrimento em mim porque se por não sofrer e padecer desta mágoa não pudesse conhecer o que senti… pelo que, juntos, sentimos e fizemos sentir no passado, não seria então em mim, nem gota de um mar por vontade de o alterar. Se por isso tiver de sofrer que sofra então a minha alma, sofra sem piedade porque não tenho arrependimento de te amar… nem de nada nem nunca, perante ti! Não tenho arrependimento nem na mais pequena veia minha por onde corre ainda o sangue teu e do teu amor e de todo o teu amar.
terça-feira, 25 de abril de 2006
Amor Vida II
Sou eu! Sou mar eterno
Sou Outono sem Inverno
Sou viagem sem razão
Sou primavera sem Verão
Sou, pelo meu vasto conhecimento
Pois vejo o abismo mas não sei o seu tormento
Sou, porque sei o que louvo e o que lamento
Porque vivo à brisa, mas não sei para onde sopra o vento
E para onde sopra o vento?
E quem, ou o quê, é esse vento?
Caminho, destino, futuro vaticínio,
Ou desejo, paixão, esperança pelo seu domínio?
Quem espera mais e colhe menos?
Quem sobe e nunca desce?
Quem quer e não tem?
Quem explode mas arrefece?
E por que vento sopra a vida
Quando a vida sopra mal?
Será mesmo vento ou brisa,
Ou tempestade em ascensão final?
Talvez seja simples sentimento, leme do coração,
Estradas do que sou mas sem saber o que são?
E o que são? São pedras, são passos
São problemas e más amarras dos meus laços
Mas atrás nada há, há vazio e escuridão
À frente: tudo o que há para haver pela nossa mão
Há mágoa, há dor, medo e há temor
Mas há vida e cor e se há isto há amor
E o que é o amor?
Sou leigo e sei só o seu valor
É pé de cada passo, é boca de cada voz
É sobre o meu saber e todo o meu ignorar
É para além do que posso querer ou sequer imaginar
É para além do mar e do Inverno
Do Verão e da razão
É força que nos faz mover
É sangue que se nos faz correr
Quem não sabe este sentir
Nada sabe do que é viver.
Sou Outono sem Inverno
Sou viagem sem razão
Sou primavera sem Verão
Sou, pelo meu vasto conhecimento
Pois vejo o abismo mas não sei o seu tormento
Sou, porque sei o que louvo e o que lamento
Porque vivo à brisa, mas não sei para onde sopra o vento
E para onde sopra o vento?
E quem, ou o quê, é esse vento?
Caminho, destino, futuro vaticínio,
Ou desejo, paixão, esperança pelo seu domínio?
Quem espera mais e colhe menos?
Quem sobe e nunca desce?
Quem quer e não tem?
Quem explode mas arrefece?
E por que vento sopra a vida
Quando a vida sopra mal?
Será mesmo vento ou brisa,
Ou tempestade em ascensão final?
Talvez seja simples sentimento, leme do coração,
Estradas do que sou mas sem saber o que são?
E o que são? São pedras, são passos
São problemas e más amarras dos meus laços
Mas atrás nada há, há vazio e escuridão
À frente: tudo o que há para haver pela nossa mão
Há mágoa, há dor, medo e há temor
Mas há vida e cor e se há isto há amor
E o que é o amor?
Sou leigo e sei só o seu valor
É pé de cada passo, é boca de cada voz
É sobre o meu saber e todo o meu ignorar
É para além do que posso querer ou sequer imaginar
É para além do mar e do Inverno
Do Verão e da razão
É força que nos faz mover
É sangue que se nos faz correr
Quem não sabe este sentir
Nada sabe do que é viver.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
À Distância da Tua Vontade
Fosse em meu poder e levantar-me-ia eu a abrir a face dos céus e a boca do universo para que pudesses ver as estrelas dançarem para ti e levar-te-ia ao fim dos mares para que ouvisses ainda outras estrelas cantarem somente para ti. Fosse em meu poder e faria da luz a tua cama para que fosse digna de ser luz. Fosse em meu poder e faria de toda a Primavera o teu lar e faria cada flor desabrochar para ti, e cada nota em orquestra fazer soar para ti. Fosse ao menos em meu poder e faria descer a chuva sempre que te assolasse a sede. Faria o sol brilhar se te tocasse o corte do frio. Faria uma lua cheia noite após noite. À melodia de um chilrear como voz que se faz digna de se cantar, fazer-lhe-ia soar a cada explodir da madrugada. Limparia os céus de mão erguida e a outra para ti e com o coração faria desaparecer qualquer tempestade, qualquer vento, chuva ou trovoada. Faria o chão se abrir se este te aborrecesse. Faria montanhas erguerem-se no meio do horizonte se somente por acaso a paisagem fosse vazia ao teu olhar. Fá-lo-ia, fosse ao menos em meu poder e fá-lo-ia!
Mas não é! Nem está em meu poder. Não porque não sou capaz de o fazer mas porque há somente uma só coisa de que não sou, realmente, capaz: ir contra o teu desejar, ser contra o teu querer, matar a tua vontade. Poderia eu ter o poder para moldar a terra, o fogo, a água e o vento, moldar alma e espírito, corpo e mente, moldar o tumulto em paz e a fome em fartura, e ainda que com o mais pequeno pestanejar o pudesse fazer jamais o faria se o fizesse por ti e fosse contra o teu querer. Fosse dentro do meu poder e fora da tua vontade e em toda a massa e cultura da Terra não moldaria eu nem ponto nem ponta de agulha. Porque de tudo isto nada me valeria forçar a ter pois se nada tenho senão pelo teu querer, porque não quero um coração roubado e prefiro ter o peito vazio se o teu não me for oferecido. Porque todas as coisas que estão e são em mim, e apesar de o meu corpo e mente estarem infinitamente separados de ti, todas estas coisas estão somente à distância da tua vontade… estariam! Pois se eu pudesse fá-lo-ia. Fá-lo-ia se o desejasses e fá-lo-ei se for de acordo com a tua vontade!
Mas não é! Nem está em meu poder. Não porque não sou capaz de o fazer mas porque há somente uma só coisa de que não sou, realmente, capaz: ir contra o teu desejar, ser contra o teu querer, matar a tua vontade. Poderia eu ter o poder para moldar a terra, o fogo, a água e o vento, moldar alma e espírito, corpo e mente, moldar o tumulto em paz e a fome em fartura, e ainda que com o mais pequeno pestanejar o pudesse fazer jamais o faria se o fizesse por ti e fosse contra o teu querer. Fosse dentro do meu poder e fora da tua vontade e em toda a massa e cultura da Terra não moldaria eu nem ponto nem ponta de agulha. Porque de tudo isto nada me valeria forçar a ter pois se nada tenho senão pelo teu querer, porque não quero um coração roubado e prefiro ter o peito vazio se o teu não me for oferecido. Porque todas as coisas que estão e são em mim, e apesar de o meu corpo e mente estarem infinitamente separados de ti, todas estas coisas estão somente à distância da tua vontade… estariam! Pois se eu pudesse fá-lo-ia. Fá-lo-ia se o desejasses e fá-lo-ei se for de acordo com a tua vontade!
quarta-feira, 14 de setembro de 2005
O Mar Que Não Chega
Quem espera pelo mar que não chega? Ou quem dorme pelo sonho que não desperta? Quem, ousa, anseia pela voz que não canta a melodia esquecida por sonhos que embalam cada onda deste mar? Mas pior pois quem deixa de esperar e esquece qualquer sentido de viver se por viver o fizer só por respirar. O mar que não chega é o sonho que não desperta e a voz que não se faz soar, é mais que a morte de qualquer corpo e carne, é mais que a mágoa de não haver mar, sonho, canção ou esperança, é amor senão por morte inconsumpta, é tudo isto, é saudade, é solidão, é esperança, é solidão por esperança, é esquecer o resto para lembrar-me de ti, é viver e sofrer sem fôlego por não te ter, é sem fôlego querer viver se por viver te puder lembrar... não me contento com pouco mas a mais pequena memória de ti é já por si tanto e no entanto tão pouco, bate o coração, tanto e tão, a lembrança é tanto e tão pouco, basta para querer viver mas não chega para sobreviver se por viver não o fizer só por respirar porque não vivo por pulmão e deste tenho dois, coração tenho um e não o controlo nem o tenho na mão, não é meu, já não é meu, se o foi ou se o tive não me foi feito senão para ti, para te amar. E se grande é a memória, quão mais o mar que não chega? Quão mais? Não anseio mas espero e sei que em vão. Espero porque maior foi este amor e de tal maneira maior que nada o podia consumir, nem o céu e nem as estrelas, porque assim como o fogo consome a lenha que arde e nada lhe deixa senão a cinza e a fuligem, e a água que consome o fogo sob chuva que se faz descer, pois também ela sem razão para a destruição da flama que arde, mata e vive para dar a viver, deixando-lhe nada senão fumo e mais fumo, este tão grande e maior que consumia ou consumiu água e fogo, céu e estrelas, mar e chão, a chama e a visão, porque não lembro o contemplar de constelação ou luar e a cortina que corre a vida, porque a água é a sede de vida e o fogo arde a paixão por viver (nar e nen – narnen), porque a vida é feita de opostos pólos que se reciprocam e, que se contradizem e completam. Porque a vivi por este amor mas não lembro água ou fogo de nada senão de ti porque eras tu esse amor, porque o fogo nada é se nada tiver para consumir e nem a água se nada tiver por sede a saciar, e disto sou a água e fogo por ti, porque nada sou ou tenho se por ti não puder arder nem te saciar.
Quem corre e luta contra a corrente? Desta, quem espera poder ganhar? Quem sopra contra o vento? E quem brilha contra o sol? Não corro, não espero, não sopro e nem brilho! Deixo e não faço por lutar. Paro... vivo... respiro... Vivo só por respirar. Sem o mar que não me chega não sei de que outra maneira posso fazer sentido ou lógica ou qualquer razão. Mas, afinal, qual o tolo que por razão ou lógica corre contra a corrente e desta espera ganhar? Qual o tolo que sopra contra o vento e brilha contra o sol? Mas se sou ou fui por lógica não vivo por razão ainda que se por lógica houvesse somente a razão, porque não encontro, nem na queda mas suposta elevação do que agora vejo apenas pelo quebrado espelho deste ser, qualquer sentido ou vazão de coerência. Procurei sem encontrar para saber que não há sentido em sentir amor – sente-se apenas como se vive – ama-se... respirar... somente... parar mas ser, ser tudo quando tudo é nada, ser mais quando mais é menos, ser muito enquanto muito é tão pouco, ser quando por ser não se é. Porque nisto não há sentido, lógica ou razão, porque em sentir, assim, esquecer passada sabedoria e todo o conhecer, por um só sentir e o sangrar de um coração, pois assim se abrem os céus para engolir o senso comum como se abriram os braços da minha alma que, sem razão ou forma de ser, abraçaram-te como se nada mais tivessem, porque nada mais queriam, porque tudo era-lhes nada e por nada eras-lhes tudo.
Ah, que mágoa esta que ainda chora pelo que lhe mata? Que sentimento este que corrobora o mundo emocional e deixa o abstracto para destruir o que me era concreto, para destruir a minha mente? Que fenómeno este que não posso compreender porquê ou por que razão? Mas... escusar-me-ia relembrar que nisto não há razão, nisto não há nem razão...?! Nisto?!
Se falo, digo ou escrevo faço-o só por uma alma que não pode mentir, porque a mentira esconde-se de ser mostrar para que não seja achada por aquilo que é. Por isto mostro aquilo que sinto por aquilo que te escrevo para que seja achado somente pelo que é: por verdade. Por te conhecer esqueci o paladar, a visão e o tacto, esqueci a audição e também o olfacto. Pois de que me serve lembrar ou saber o que não preciso?! Irei eu lembrar Orion durante o Verão ou no Inverno o escorpião?! Ou deixarei o sol enquanto as estrelas e a lua durarem por seu brilhar?! Pois esqueci estes sentidos porque lembrava apenas o coração, o meu e o teu coração. Perdi o sentido da minha visão porque não lhe precisava para te ver, apenas me bastava sentir, bastava-me apenas olhar e, cego, saber que visão é só ilusão, mas porém poder sentir, e como te pude sentir marcou chaga que se recusa a cicatrizar e sangra como forte fonte que brota morte e vida num só chorar, num chorar de lágrimas eternas até que se me desfaleça o espírito que por ti se foi apaixonar.
E se por sentido tomar também a memória? Ora haveria aqui um que me serviria pela sua função porque lembro cada peça deste puzzle sem saber, no fundo, a imagem que ele é. Porque sendo tórpido não lembro o teu toque mas lembro o teu tocar, porque sendo surdo não lembro a tua voz mas lembro sim o teu dizer e o teu falar, porque sendo cego, ainda que sabendo da sua beleza, não lembro os teus olhos mas lembro sempre o teu olhar, porque sendo insonso o meu paladar não lembro o teu sabor mas lembro, oh pois se lembro, o teu beijar. Oh, doce beijar! Onde foste e porque foste? Não espero resposta, apenas devaneio, eu, sob a saudade que me consome e ofusca a alma e a mente, porque maior é o amor que desafia a mente e a emoção, porque um é lógico e o outro não, um segue a alma e o outro a razão, mas nem já na mente há ordem ou sentido; é entropia se caos for o teu amor, porque nem na mente tenho razão... apenas deixo, paro, vivo, respiro e sou – bate o coração; uma vez mais – vivo, sustenho o fôlego e penso no que sou. Ah, se sou imagino que seja por contradição e tudo sem razão... incompleto até que pereça o espírito que por ti se apaixonou.
Contradição?! Como posso eu sentir saudade da minha morte se vivo ainda pelo seu funeral? E como posso eu, sequer, viver se por morte tomo o meu respirar? E não mais tenho inspiração porque ainda me és, mas sim és porque tenho ainda inspiração. Do fôlego de vida que me resta, detesto saber que não és mais o meu inspirar mas somente o expirar, o expirar de toda a mágoa de que sou agora feito, a mágoa que me cobre tal o véu do meu luto, mas é luto que me cobre como a noite cobre o céu, pois apesar de não ser por morte é por vida mas sombria e obscura como a noite o é e o pouco que lhe ilumina é o forte brilhar das estrelas e da lua talvez, mas sempre do brilho do teu olhar. Mas qual o tolo que na escuridão não olha para a lua como vaso de esperança assim como eu te olhei e não quis deixar de olhar? Qual o tolo que por te ter desejar algo mais, pois se tudo é nada mas por nada és tudo? O véu do luto que me cobre não cobre pois por morte porque a alma só morre quando nada tem por que chorar e por isto choro porque vivo, mas se vivo por coração e não o tenho, o teu e nem o meu, morro... mas ou morro ou vivo... ah, não perguntes porque não sei responder e o que sei já não me faz sentido quando tudo o que sei és tu.
Quem caminha pela estrada que se desfaz de qualquer destino? Quem imagina e sonha mentira se vive e sofre pela verdade? Quem sonha enquanto dorme e sufoca por viver o pesadelo? Quem deixa de ser tudo para se tornar nada e por nada tornar-se tudo? Porque esqueci e deixei de ser o que era para ser só por ti e do nada tornei-me tudo por ti enquanto te tornavas tudo para mim, e os céus e os cantares e os dias que nos envolveram e o berço que nos unia foram-me esquecidos de toda a minha visão para lembrar cada sentimento e cada emoção por ti, e agora pago a minha sentença e sofro e choro e morro e sangro até ao último fôlego meu. Agora, depois de tudo, se me julgasse aos portões da minha sentença, ditaria as minhas últimas palavras: não guardo qualquer rancor, antes até pelo contrário, não guardo qualquer violação, não guardo nada senão a saudade, a mágoa e o amor. Arrependimentos? não tenho, e antes até pelo contrário... levar-me-iam ao passado e levar-me-ia eu de novo a tanto do que fiz, não porque o passado e o futuro nascem ambos do mesmo ventre mas porque a alma só morre se não tiver por que chorar, se não tiver por quem chorar, porque por ti a lógica tornou-se irracional e porque apesar de poucos os dias que nos foram, contigo vivi e senti mais que em todo o resto que me poderia haver, porque só por amar vale a pena poder chorar, só por amar vale a pena poder viver.
Quem corre e luta contra a corrente? Desta, quem espera poder ganhar? Quem sopra contra o vento? E quem brilha contra o sol? Não corro, não espero, não sopro e nem brilho! Deixo e não faço por lutar. Paro... vivo... respiro... Vivo só por respirar. Sem o mar que não me chega não sei de que outra maneira posso fazer sentido ou lógica ou qualquer razão. Mas, afinal, qual o tolo que por razão ou lógica corre contra a corrente e desta espera ganhar? Qual o tolo que sopra contra o vento e brilha contra o sol? Mas se sou ou fui por lógica não vivo por razão ainda que se por lógica houvesse somente a razão, porque não encontro, nem na queda mas suposta elevação do que agora vejo apenas pelo quebrado espelho deste ser, qualquer sentido ou vazão de coerência. Procurei sem encontrar para saber que não há sentido em sentir amor – sente-se apenas como se vive – ama-se... respirar... somente... parar mas ser, ser tudo quando tudo é nada, ser mais quando mais é menos, ser muito enquanto muito é tão pouco, ser quando por ser não se é. Porque nisto não há sentido, lógica ou razão, porque em sentir, assim, esquecer passada sabedoria e todo o conhecer, por um só sentir e o sangrar de um coração, pois assim se abrem os céus para engolir o senso comum como se abriram os braços da minha alma que, sem razão ou forma de ser, abraçaram-te como se nada mais tivessem, porque nada mais queriam, porque tudo era-lhes nada e por nada eras-lhes tudo.
Ah, que mágoa esta que ainda chora pelo que lhe mata? Que sentimento este que corrobora o mundo emocional e deixa o abstracto para destruir o que me era concreto, para destruir a minha mente? Que fenómeno este que não posso compreender porquê ou por que razão? Mas... escusar-me-ia relembrar que nisto não há razão, nisto não há nem razão...?! Nisto?!
Se falo, digo ou escrevo faço-o só por uma alma que não pode mentir, porque a mentira esconde-se de ser mostrar para que não seja achada por aquilo que é. Por isto mostro aquilo que sinto por aquilo que te escrevo para que seja achado somente pelo que é: por verdade. Por te conhecer esqueci o paladar, a visão e o tacto, esqueci a audição e também o olfacto. Pois de que me serve lembrar ou saber o que não preciso?! Irei eu lembrar Orion durante o Verão ou no Inverno o escorpião?! Ou deixarei o sol enquanto as estrelas e a lua durarem por seu brilhar?! Pois esqueci estes sentidos porque lembrava apenas o coração, o meu e o teu coração. Perdi o sentido da minha visão porque não lhe precisava para te ver, apenas me bastava sentir, bastava-me apenas olhar e, cego, saber que visão é só ilusão, mas porém poder sentir, e como te pude sentir marcou chaga que se recusa a cicatrizar e sangra como forte fonte que brota morte e vida num só chorar, num chorar de lágrimas eternas até que se me desfaleça o espírito que por ti se foi apaixonar.
E se por sentido tomar também a memória? Ora haveria aqui um que me serviria pela sua função porque lembro cada peça deste puzzle sem saber, no fundo, a imagem que ele é. Porque sendo tórpido não lembro o teu toque mas lembro o teu tocar, porque sendo surdo não lembro a tua voz mas lembro sim o teu dizer e o teu falar, porque sendo cego, ainda que sabendo da sua beleza, não lembro os teus olhos mas lembro sempre o teu olhar, porque sendo insonso o meu paladar não lembro o teu sabor mas lembro, oh pois se lembro, o teu beijar. Oh, doce beijar! Onde foste e porque foste? Não espero resposta, apenas devaneio, eu, sob a saudade que me consome e ofusca a alma e a mente, porque maior é o amor que desafia a mente e a emoção, porque um é lógico e o outro não, um segue a alma e o outro a razão, mas nem já na mente há ordem ou sentido; é entropia se caos for o teu amor, porque nem na mente tenho razão... apenas deixo, paro, vivo, respiro e sou – bate o coração; uma vez mais – vivo, sustenho o fôlego e penso no que sou. Ah, se sou imagino que seja por contradição e tudo sem razão... incompleto até que pereça o espírito que por ti se apaixonou.
Contradição?! Como posso eu sentir saudade da minha morte se vivo ainda pelo seu funeral? E como posso eu, sequer, viver se por morte tomo o meu respirar? E não mais tenho inspiração porque ainda me és, mas sim és porque tenho ainda inspiração. Do fôlego de vida que me resta, detesto saber que não és mais o meu inspirar mas somente o expirar, o expirar de toda a mágoa de que sou agora feito, a mágoa que me cobre tal o véu do meu luto, mas é luto que me cobre como a noite cobre o céu, pois apesar de não ser por morte é por vida mas sombria e obscura como a noite o é e o pouco que lhe ilumina é o forte brilhar das estrelas e da lua talvez, mas sempre do brilho do teu olhar. Mas qual o tolo que na escuridão não olha para a lua como vaso de esperança assim como eu te olhei e não quis deixar de olhar? Qual o tolo que por te ter desejar algo mais, pois se tudo é nada mas por nada és tudo? O véu do luto que me cobre não cobre pois por morte porque a alma só morre quando nada tem por que chorar e por isto choro porque vivo, mas se vivo por coração e não o tenho, o teu e nem o meu, morro... mas ou morro ou vivo... ah, não perguntes porque não sei responder e o que sei já não me faz sentido quando tudo o que sei és tu.
Quem caminha pela estrada que se desfaz de qualquer destino? Quem imagina e sonha mentira se vive e sofre pela verdade? Quem sonha enquanto dorme e sufoca por viver o pesadelo? Quem deixa de ser tudo para se tornar nada e por nada tornar-se tudo? Porque esqueci e deixei de ser o que era para ser só por ti e do nada tornei-me tudo por ti enquanto te tornavas tudo para mim, e os céus e os cantares e os dias que nos envolveram e o berço que nos unia foram-me esquecidos de toda a minha visão para lembrar cada sentimento e cada emoção por ti, e agora pago a minha sentença e sofro e choro e morro e sangro até ao último fôlego meu. Agora, depois de tudo, se me julgasse aos portões da minha sentença, ditaria as minhas últimas palavras: não guardo qualquer rancor, antes até pelo contrário, não guardo qualquer violação, não guardo nada senão a saudade, a mágoa e o amor. Arrependimentos? não tenho, e antes até pelo contrário... levar-me-iam ao passado e levar-me-ia eu de novo a tanto do que fiz, não porque o passado e o futuro nascem ambos do mesmo ventre mas porque a alma só morre se não tiver por que chorar, se não tiver por quem chorar, porque por ti a lógica tornou-se irracional e porque apesar de poucos os dias que nos foram, contigo vivi e senti mais que em todo o resto que me poderia haver, porque só por amar vale a pena poder chorar, só por amar vale a pena poder viver.
terça-feira, 28 de junho de 2005
Vida por que Morte
Caem-me as lágrimas
Arde-me a face
Drena-me o coração
À morte que não nasce
Vem forte e sobre si
Deixa-me só para morrer
Vem por sorte e não de ti
Deixa-me só deixar de ser
À forca que lhe espera
Ávida de tal sorte
A mágoa persevera
Imortal e não por morte
Esqueço o meu cantar
E a melodia que é amor
A nota que tento lembrar
É o dia do seu clamor
A minha mão é efémera
A escrita vem de padecer
A minha paixão é enferma
Se por ti tiver de ser
Estanco o sangue de vida
Estanco o que se derramou
Mas sangro de esta ferida
Sangro por tudo o que te sou
E mostrei-te tudo o que sou
E por ti deixei de o ser
A flama arde que não cessou
Mas qual flama arde sem viver?
Arde-me a face
Drena-me o coração
À morte que não nasce
Vem forte e sobre si
Deixa-me só para morrer
Vem por sorte e não de ti
Deixa-me só deixar de ser
À forca que lhe espera
Ávida de tal sorte
A mágoa persevera
Imortal e não por morte
Esqueço o meu cantar
E a melodia que é amor
A nota que tento lembrar
É o dia do seu clamor
A minha mão é efémera
A escrita vem de padecer
A minha paixão é enferma
Se por ti tiver de ser
Estanco o sangue de vida
Estanco o que se derramou
Mas sangro de esta ferida
Sangro por tudo o que te sou
E mostrei-te tudo o que sou
E por ti deixei de o ser
A flama arde que não cessou
Mas qual flama arde sem viver?
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Tudo Muda - A Dália Amarela
Vim e voltei a lugares onde, outrora, havíamos estado
Porém as pedras não são as mesmas no chão de terra, gravilha e agulha de pinheiro
Assim como as pessoas que passam, vão e vêm, mas não chegam para voltar
Os bancos e as mesas estão gastos por nós e as marcas que lhes deixámos quase desaparecem como ar
Reanimo-as, dou-lhes vida e cor com a tinta de uma lágrima caída pelo repente de um chorar
Os pombos voaram para longe, para onde os meus olhos não podem chegar
Alma, só a minha
As árvores engrossaram e escureceram, pelo tempo consumidas
É mentira, mas assim é o que sinto por dentro
E só por dentro posso sentir
Os ventos sopram de trás para a frente
É verdade, mas quem lhe liga?!
Até a lua se mudou, deixando-se pendurada no espaço vazio
Vazio, só em mim
O Sol demora-se e a luz prolonga-se, agora, enquanto chaga a noite
Mas é falsa essa luz
Agora tudo é seco
Outrora, sobre nós, tudo choveu
Cheguei, lembrei e chovi dez almas da mente
Porquanto lembrei, mas mais: da alma senti
Só por dentro posso sentir
Sento-me, esqueço o quanto de mais há, porque nada há que seja mais
Alma, só a minha
Ganha força, agora, a Lua
O Sol esconde-se cada vez mais mas vejo-lhe, ainda, a sua luz
Mas é falsa essa luz
A noite aproxima-se enquanto escrevo
O vento sopra a brisa de Outono em pleno Verão
Sinto o arrepio no pescoço
Mas não és tu
O crepúsculo agora é doce
Tudo se desvanece em sombra e silêncio
A luz muda também, diminui, e assim também a sua cor
E tudo é vazio
Vazio, só em mim
Desaparece-me qualquer sombra de brilho
Mas não, nem faço distinção
Porque outrora vi
Agora cego
E sinto a falta da luz o teu brilhar
É real essa luz
Que mais poderia, eu, ver?!
Sentado vejo tudo mudar
O Sol fugiu-me e alto a Lua subiu
Em minutos as cores do dia são agora noite
A cor tornou-se uma e só, pela união da noite na ausência do Sol
Os meus olhos viram-se para fora de mim
Não enxergo para dentro
Olho e vejo que tudo mudou
A melodia que ouço e me faz relembrar, corrompe-se por sorte
Mas ouço, também como vejo, para fora e não para dentro
Olho o banco defronte a mim mas é vazio onde outrora fora cheio
Mas vazio, só em mim
De longe ouço nove badaladas
Os sinos vibram a sua melodia
A melodia é doce e reconforta-me a alma
Mas não és tu
Já só vejo a luz da Lua
Mas vejo só para fora
Mas é falsa essa luz
Luz, só em ti
Pois quando olho para dentro,
Que mais poderia, eu, ver?!
Porque, de facto, de fora tudo muda
As pedras no chão que pisámos unidos pela mão
As mesas onde nos havíamos sentado
As árvores, os ventos, as cores e a luz
O parque onde escrevo e o que escrevo também
Pois também o Sol e a Lua
E o quanto mais está fora de mim
Tanto eu também mudo
Meus cabelos não são os mesmos
As minhas mãos estão gastas e as marcas que deixaram escapam-me para as lembrar
Emoções voaram para longe, para onde a alma, busca mas, não pode chegar
A minha barba engrossou e escureceu, pelo tempo consumida
Lembro tudo de trás para a frente
Meu coração mudou, deixando-se pendurado no espaço vazio
Vazio que há em mim
A resposta demora-se e a saudade prolonga-se, enquanto chega a noite
Os meus lábios estão secos como folha de Outono que cai e sente pela Primavera que lhe foi
És a sua, minha Primavera
Outrora eram teus
Ri mas choro desalmadamente
Porquanto lembrei e senti
Levanto-me, esqueço tudo e lembro nada
Enquanto tudo muda, ganha força o sentimento
Só por dentro posso sentir
E escondes-te cada vez mais, mas vejo ainda, a tua luz
É real essa luz
Que mais poderia, eu, ver?!
Escrevo noites que passaram minhas e tuas, nossas
Solto, expiro o suspiro, bafo do Outono que sou pelo nosso Verão
Os meus olhos são amargo crepúsculo que arde luz que brilha em escuridão
São cor desvanecida em sombra
Diminui, muda assim também a sai luz
São todo um vazio
Vazio que há em mim
E no quanto mais está fora de mim
A minha memória é só sombra do quanto tu és
Mas não és tu
Porque outrora vi
Agora cego
Cego do quanto olho para fora
Só para dentro posso ver
Só por dentro posso sentir
E que tenho dentro?
Sim
É real essa luz
Que mais poderia, eu, ver?!
Impotente, olho os mares e os céus, olho o Sol e a Lua, olho o Verão e a o Inverno, a Primavera e o Outono, e tanto mais quanto não é mútuo, porém recíproco
Foges-me e alto sobe-me a saudade
Em tempos, poucos, breves, o meu arco-íris é agora treva e tenebrosidade
Consciente e inconscientemente deixamos de ser um só
Como que pela separação dos mares e dos céus, do Sol e da Lua, do Verão e do Inverno, do Outono e da Primavera, do fogo e da água
Mas não és tu
Somos nós
Recíprocos, agua e fogo
Não mútuos, mas dependentes
Essenciais como o Sol, inesquecíveis como a Lua
Porque, não é o Inverno jardineiro do Verão?!
Não é o Outono, mãe que padece morte por sua filha, Primavera?!
Recíprocos, dia e noite
Porque, o Sol, que reina o dia, dá vida mas consome na ausência da pausa noite onde reina a lua
Porém, também a lua é insuficiente e a noite inútil se por ventura não reciprocasse o Sol
Mas, tocam-se alguma vez?
Raro se mutuam ou simpatizam sintonia
Mas essenciais pela combinação que lhes há
Intensos como tais, inesquecíveis como quem, senão nós
Porque o fogo é chama de vida mas consome
A água, consome a sede da vida, mas é deserto no oceano e a sua essência dorme
Sou água e és fogo, és fogo e água
Sentado, lembro tudo quanto posso
Não é pouco o quanto posso lembrar
Porém lembro uma só emoção e sentido
Lembro tudo quanto não esqueci
Nada esqueci, e lembro como as letras que agora escrevo
Porém também a minha letra sofre mutação
Mas é ainda escrito pela mesma velha mão
Mas nada mais há que possa lembrar
Ano me há distracção
Sinto perder a minha atracção, porém
Não me roubes a minha vontade
Os meus olhos viram-se para dentro de mim
Que mais poderia, eu, ver?!
Se só para dentro posso ver?
Se só por dentro posso sentir?
Mas, que tenho dentro?
Alma, só a minha
Pelo vazio que há em mim
Vazio, só em mim
A melodia serve-me, por sorte, à minha escrita
Olha para o banco que me deixo viver, mas é vazio, de qualquer depósito, onde outrora fora cheio
É todo um vazio
E tudo é vazio
Apesar de longe, ouço ainda as badaladas do teu coração
É mentira, mas tal é o que sinto por dentro
O que sou vibra a minha melodia
A melodia é doce, reconforta-me a alma
Alivia a saudade e incendeia esta luz
Mas não és tu
E é falsa essa luz
Espelho, reflexo do quanto, lembro, me resta
És tanto quanto me resta
É verdade mas quem lhe liga?!
Vejo só a tua luz
Vejo só para dentro
É real essa luz
E luz, só em ti
Mas espelho, reflexo
Porque és estrela, mas cadente, caída do meu, nosso universo
Tenho só o rasto que deixas na tua queda ou ascensão
Este, prolongado deste a alma ao coração
E o quanto mais está dentro de mim
Caído, eu, da tua mão, tento esquecer a amarga saudade
Nuvem negra tempestuosa sobre terra de infertilidade
Mas não tenho mais o que lembrar
Pois é tua a minha memória
Não lembro o pôr-do-Sol porque se deitava a trás de ti
Não lembro a chuva porque chovia sobre ti
Não lembro a terra porque pisada por ti
Não lembro o fogo porque ardias já só por ti
Não lembro nem o cantar da natureza, abafado pelo teu sorrir
Não lembro o vento pelo teu fôlego, teu respirar
Não lembro as estrelas porque me olhavas durante o luar
Não lembro nada porque só a ti posso lembrar
Porque és todas as minhas memórias
E tanto mais quanto há em mim
Porquanto nada mais há
Porque se me sopra a brisa, sinto o teu resfolgar nos meus lábios
Na tempestade, cada ribombar do trovão, sinto bater, sobre o meu, o teu coração
Tal a rocha pelo mar, e o mar pelo vento, e o vento pelos céus, e os céus pelas estrelas, pois as quais pelo universo, meu e nosso universo
Se me brilha o Sol. Ou me seduz a Lua cheia, sou reflexo do teu profundo olhar
Se me chove sobre a face, são mil lágrimas de um só chorar
Se me canta a sinfonia orquestrada num coro de vozes sem conto da natureza, é, por tanto, uma só palavra do teu falar
Se me deixo cair por sono, é por ti o meu sonhar
Se me foge o fôlego, é por ti o meu respirar.
Se por vida não me deixo morrer, é por ti este salvo ser.
Porém as pedras não são as mesmas no chão de terra, gravilha e agulha de pinheiro
Assim como as pessoas que passam, vão e vêm, mas não chegam para voltar
Os bancos e as mesas estão gastos por nós e as marcas que lhes deixámos quase desaparecem como ar
Reanimo-as, dou-lhes vida e cor com a tinta de uma lágrima caída pelo repente de um chorar
Os pombos voaram para longe, para onde os meus olhos não podem chegar
Alma, só a minha
As árvores engrossaram e escureceram, pelo tempo consumidas
É mentira, mas assim é o que sinto por dentro
E só por dentro posso sentir
Os ventos sopram de trás para a frente
É verdade, mas quem lhe liga?!
Até a lua se mudou, deixando-se pendurada no espaço vazio
Vazio, só em mim
O Sol demora-se e a luz prolonga-se, agora, enquanto chaga a noite
Mas é falsa essa luz
Agora tudo é seco
Outrora, sobre nós, tudo choveu
Cheguei, lembrei e chovi dez almas da mente
Porquanto lembrei, mas mais: da alma senti
Só por dentro posso sentir
Sento-me, esqueço o quanto de mais há, porque nada há que seja mais
Alma, só a minha
Ganha força, agora, a Lua
O Sol esconde-se cada vez mais mas vejo-lhe, ainda, a sua luz
Mas é falsa essa luz
A noite aproxima-se enquanto escrevo
O vento sopra a brisa de Outono em pleno Verão
Sinto o arrepio no pescoço
Mas não és tu
O crepúsculo agora é doce
Tudo se desvanece em sombra e silêncio
A luz muda também, diminui, e assim também a sua cor
E tudo é vazio
Vazio, só em mim
Desaparece-me qualquer sombra de brilho
Mas não, nem faço distinção
Porque outrora vi
Agora cego
E sinto a falta da luz o teu brilhar
É real essa luz
Que mais poderia, eu, ver?!
Sentado vejo tudo mudar
O Sol fugiu-me e alto a Lua subiu
Em minutos as cores do dia são agora noite
A cor tornou-se uma e só, pela união da noite na ausência do Sol
Os meus olhos viram-se para fora de mim
Não enxergo para dentro
Olho e vejo que tudo mudou
A melodia que ouço e me faz relembrar, corrompe-se por sorte
Mas ouço, também como vejo, para fora e não para dentro
Olho o banco defronte a mim mas é vazio onde outrora fora cheio
Mas vazio, só em mim
De longe ouço nove badaladas
Os sinos vibram a sua melodia
A melodia é doce e reconforta-me a alma
Mas não és tu
Já só vejo a luz da Lua
Mas vejo só para fora
Mas é falsa essa luz
Luz, só em ti
Pois quando olho para dentro,
Que mais poderia, eu, ver?!
Porque, de facto, de fora tudo muda
As pedras no chão que pisámos unidos pela mão
As mesas onde nos havíamos sentado
As árvores, os ventos, as cores e a luz
O parque onde escrevo e o que escrevo também
Pois também o Sol e a Lua
E o quanto mais está fora de mim
Tanto eu também mudo
Meus cabelos não são os mesmos
As minhas mãos estão gastas e as marcas que deixaram escapam-me para as lembrar
Emoções voaram para longe, para onde a alma, busca mas, não pode chegar
A minha barba engrossou e escureceu, pelo tempo consumida
Lembro tudo de trás para a frente
Meu coração mudou, deixando-se pendurado no espaço vazio
Vazio que há em mim
A resposta demora-se e a saudade prolonga-se, enquanto chega a noite
Os meus lábios estão secos como folha de Outono que cai e sente pela Primavera que lhe foi
És a sua, minha Primavera
Outrora eram teus
Ri mas choro desalmadamente
Porquanto lembrei e senti
Levanto-me, esqueço tudo e lembro nada
Enquanto tudo muda, ganha força o sentimento
Só por dentro posso sentir
E escondes-te cada vez mais, mas vejo ainda, a tua luz
É real essa luz
Que mais poderia, eu, ver?!
Escrevo noites que passaram minhas e tuas, nossas
Solto, expiro o suspiro, bafo do Outono que sou pelo nosso Verão
Os meus olhos são amargo crepúsculo que arde luz que brilha em escuridão
São cor desvanecida em sombra
Diminui, muda assim também a sai luz
São todo um vazio
Vazio que há em mim
E no quanto mais está fora de mim
A minha memória é só sombra do quanto tu és
Mas não és tu
Porque outrora vi
Agora cego
Cego do quanto olho para fora
Só para dentro posso ver
Só por dentro posso sentir
E que tenho dentro?
Sim
É real essa luz
Que mais poderia, eu, ver?!
Impotente, olho os mares e os céus, olho o Sol e a Lua, olho o Verão e a o Inverno, a Primavera e o Outono, e tanto mais quanto não é mútuo, porém recíproco
Foges-me e alto sobe-me a saudade
Em tempos, poucos, breves, o meu arco-íris é agora treva e tenebrosidade
Consciente e inconscientemente deixamos de ser um só
Como que pela separação dos mares e dos céus, do Sol e da Lua, do Verão e do Inverno, do Outono e da Primavera, do fogo e da água
Mas não és tu
Somos nós
Recíprocos, agua e fogo
Não mútuos, mas dependentes
Essenciais como o Sol, inesquecíveis como a Lua
Porque, não é o Inverno jardineiro do Verão?!
Não é o Outono, mãe que padece morte por sua filha, Primavera?!
Recíprocos, dia e noite
Porque, o Sol, que reina o dia, dá vida mas consome na ausência da pausa noite onde reina a lua
Porém, também a lua é insuficiente e a noite inútil se por ventura não reciprocasse o Sol
Mas, tocam-se alguma vez?
Raro se mutuam ou simpatizam sintonia
Mas essenciais pela combinação que lhes há
Intensos como tais, inesquecíveis como quem, senão nós
Porque o fogo é chama de vida mas consome
A água, consome a sede da vida, mas é deserto no oceano e a sua essência dorme
Sou água e és fogo, és fogo e água
Sentado, lembro tudo quanto posso
Não é pouco o quanto posso lembrar
Porém lembro uma só emoção e sentido
Lembro tudo quanto não esqueci
Nada esqueci, e lembro como as letras que agora escrevo
Porém também a minha letra sofre mutação
Mas é ainda escrito pela mesma velha mão
Mas nada mais há que possa lembrar
Ano me há distracção
Sinto perder a minha atracção, porém
Não me roubes a minha vontade
Os meus olhos viram-se para dentro de mim
Que mais poderia, eu, ver?!
Se só para dentro posso ver?
Se só por dentro posso sentir?
Mas, que tenho dentro?
Alma, só a minha
Pelo vazio que há em mim
Vazio, só em mim
A melodia serve-me, por sorte, à minha escrita
Olha para o banco que me deixo viver, mas é vazio, de qualquer depósito, onde outrora fora cheio
É todo um vazio
E tudo é vazio
Apesar de longe, ouço ainda as badaladas do teu coração
É mentira, mas tal é o que sinto por dentro
O que sou vibra a minha melodia
A melodia é doce, reconforta-me a alma
Alivia a saudade e incendeia esta luz
Mas não és tu
E é falsa essa luz
Espelho, reflexo do quanto, lembro, me resta
És tanto quanto me resta
É verdade mas quem lhe liga?!
Vejo só a tua luz
Vejo só para dentro
É real essa luz
E luz, só em ti
Mas espelho, reflexo
Porque és estrela, mas cadente, caída do meu, nosso universo
Tenho só o rasto que deixas na tua queda ou ascensão
Este, prolongado deste a alma ao coração
E o quanto mais está dentro de mim
Caído, eu, da tua mão, tento esquecer a amarga saudade
Nuvem negra tempestuosa sobre terra de infertilidade
Mas não tenho mais o que lembrar
Pois é tua a minha memória
Não lembro o pôr-do-Sol porque se deitava a trás de ti
Não lembro a chuva porque chovia sobre ti
Não lembro a terra porque pisada por ti
Não lembro o fogo porque ardias já só por ti
Não lembro nem o cantar da natureza, abafado pelo teu sorrir
Não lembro o vento pelo teu fôlego, teu respirar
Não lembro as estrelas porque me olhavas durante o luar
Não lembro nada porque só a ti posso lembrar
Porque és todas as minhas memórias
E tanto mais quanto há em mim
Porquanto nada mais há
Porque se me sopra a brisa, sinto o teu resfolgar nos meus lábios
Na tempestade, cada ribombar do trovão, sinto bater, sobre o meu, o teu coração
Tal a rocha pelo mar, e o mar pelo vento, e o vento pelos céus, e os céus pelas estrelas, pois as quais pelo universo, meu e nosso universo
Se me brilha o Sol. Ou me seduz a Lua cheia, sou reflexo do teu profundo olhar
Se me chove sobre a face, são mil lágrimas de um só chorar
Se me canta a sinfonia orquestrada num coro de vozes sem conto da natureza, é, por tanto, uma só palavra do teu falar
Se me deixo cair por sono, é por ti o meu sonhar
Se me foge o fôlego, é por ti o meu respirar.
Se por vida não me deixo morrer, é por ti este salvo ser.
terça-feira, 19 de outubro de 2004
Lágrimas II
Doem-me ainda estes olhos
Escorridos porque lágrimas?
Vencidos porque almas?
Vencidos pelos teus
Rasgando a face por onde descem
E ardendo só por de onde vertem
Minha alma é coração, espírito porque sou
Flama por canção, rito a quem me dou
Mas não sou, apenas fui, nem dou apenas dei
Porque o que fui, fui e deixei de ser
E o que sou, sou livre, isento de regra e lei
Vazia e nua a alma mas voraz por arder.
Porque foi que a despiste e a tomaste?
Porque foi que vieste e a deixaste?
Porque foi afinal que a vestiste do teu ser
Se para fugir, deixa-la para morrer?
Pois… por que alma tomo, eu, a minha?
Qual morre, porque a chamas por voz vizinha,
Ávida por que sabor? o teu, como tu, como o Sol e a Lua
Porque a alma deixa de ser se por ser não for tua.
Escorridos porque lágrimas?
Vencidos porque almas?
Vencidos pelos teus
Rasgando a face por onde descem
E ardendo só por de onde vertem
Minha alma é coração, espírito porque sou
Flama por canção, rito a quem me dou
Mas não sou, apenas fui, nem dou apenas dei
Porque o que fui, fui e deixei de ser
E o que sou, sou livre, isento de regra e lei
Vazia e nua a alma mas voraz por arder.
Porque foi que a despiste e a tomaste?
Porque foi que vieste e a deixaste?
Porque foi afinal que a vestiste do teu ser
Se para fugir, deixa-la para morrer?
Pois… por que alma tomo, eu, a minha?
Qual morre, porque a chamas por voz vizinha,
Ávida por que sabor? o teu, como tu, como o Sol e a Lua
Porque a alma deixa de ser se por ser não for tua.
domingo, 22 de agosto de 2004
Aquando da Promessa
Por mim foi proferido
Por ti foi lembrado
Para ti foi prometido
Como para mim foi relembrado
Sei portanto tanto quanto tenho dito
Sei cada promessa, cada palavra e escrito
Sei por verdade, e para ti a tenho salvo
Tal é a minha palavra, puro branco alvo
Porque não digo só por dizer
Digo só para cumprir
Tal como a alma que pode ver
Porque se pode ver não pode mentir
Ora aqui, por mais ninguém, tenho estado
Negando pois o que tenho esperado
Porque, fala-me se me chamares
E ouve-me se me falares
Porque somos dois: ventos que ascendem pelos céus
Recíprocos, e da nossa sentença somos réus
E porque tarde não é nunca, pois tarde falarei
E porque esperar é para sempre, pois então esperarei.
Porque tudo muda antes que se diga que acabou
Mas permanece a pergunta: o que foi que já mudou?
Por ti foi lembrado
Para ti foi prometido
Como para mim foi relembrado
Sei portanto tanto quanto tenho dito
Sei cada promessa, cada palavra e escrito
Sei por verdade, e para ti a tenho salvo
Tal é a minha palavra, puro branco alvo
Porque não digo só por dizer
Digo só para cumprir
Tal como a alma que pode ver
Porque se pode ver não pode mentir
Ora aqui, por mais ninguém, tenho estado
Negando pois o que tenho esperado
Porque, fala-me se me chamares
E ouve-me se me falares
Porque somos dois: ventos que ascendem pelos céus
Recíprocos, e da nossa sentença somos réus
E porque tarde não é nunca, pois tarde falarei
E porque esperar é para sempre, pois então esperarei.
Porque tudo muda antes que se diga que acabou
Mas permanece a pergunta: o que foi que já mudou?
sexta-feira, 26 de março de 2004
Crepúsculo
Muitas vezes me sentei onde, e à hora a que, me sento agora. Mas nunca antes havia visto a beleza do crepúsculo que brilha em escuridão aquando escondido atrás de ti, porque como poderia eu olhar-te e ver mais para além do quanto se não a ti?!
segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Lágrimas
Doem-me ainda estes olhos
Escorridos porque lágrimas
Vencidos porque almas
Rasgando a face por onde descem
E ardendo só por de onde vertem
Minha alma é coração, espírito porque sou
Flama por canção, rito a quem me dou
Mas não sou, apenas fui, nem dou apenas dei
Porque o que fui, fui e deixei de ser
E o que sou, sou livre, isento de regra e lei
Ora assim, vazia a alma, nua, mas voraz por arder.
Porque a despiste e a tomaste?
Porque vieste e a deixaste?
Porque a vestiste do teu ser
Se para fugir e a deixar morrer?
Pois e por que alma tomo, eu, a minha?
Qual morre, porque a chamas por voz vizinha,
Porque lhe roubas o sabor, porque a deixas nua,
Porque deixa de ser se por ser não for tua.
Escorridos porque lágrimas
Vencidos porque almas
Rasgando a face por onde descem
E ardendo só por de onde vertem
Minha alma é coração, espírito porque sou
Flama por canção, rito a quem me dou
Mas não sou, apenas fui, nem dou apenas dei
Porque o que fui, fui e deixei de ser
E o que sou, sou livre, isento de regra e lei
Ora assim, vazia a alma, nua, mas voraz por arder.
Porque a despiste e a tomaste?
Porque vieste e a deixaste?
Porque a vestiste do teu ser
Se para fugir e a deixar morrer?
Pois e por que alma tomo, eu, a minha?
Qual morre, porque a chamas por voz vizinha,
Porque lhe roubas o sabor, porque a deixas nua,
Porque deixa de ser se por ser não for tua.
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